Imagine o começo dos anos 2000. Napster, internet discada e um Nokia no bolso com o jogo da cobrinha. Foi nessa época que montei uma banda de rock. Comecei na guitarra e acabei migrando para o baixo, e por alguns anos a música foi o centro do meu mundo.
Duas décadas depois, as guitarras deram lugar a linguagens de programação, IDEs e servidores na nuvem. Saí de tocar numa banda para liderar times de engenharia e, em algum ponto do caminho, percebi que ainda fazia o mesmo trabalho, só que com outros instrumentos. Liderar um time é muito parecido com reger: o seu valor não está em tocar a parte mais alta, está em fazer todo mundo tocar junto.
O perigo de se especializar demais
Tem uma armadilha em que vejo desenvolvedores caírem. Eles vão tão fundo numa tecnologia específica que perdem de vista tudo ao redor, inclusive o negócio que deveriam estar servindo. Sabem tudo sobre o framework e nada sobre por que a empresa precisa daquela funcionalidade. É o equivalente a um guitarrista que solta solos numa velocidade impossível, mas não consegue tocar com mais ninguém na sala.
Versatilidade é a vantagem
Os músicos que mais admiro não se apresentam como "guitarrista" ou "baterista". Dizem que são músicos. Os melhores profissionais de tech são iguais: dominam vários tipos de conhecimento e transitam entre eles.
Um instrumentista talentoso faz boa música numa guitarra barata, e um bom profissional de TI entrega soluções excelentes com ferramentas modestas. O contrário nunca se sustenta: o instrumento mais caro do mundo não salva quem não dedicou as horas.
O que de fato se transfere
Olhando para trás, as coisas que me tornaram um músico melhor são exatamente as que me tornaram um engenheiro melhor. Você pratica, escuta quem está tocando junto e presta atenção na música, não no seu solo. Serve pra banda e serve pra time.
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